domingo, 24 de outubro de 2010

Só de teoria vive o fraco (lamentação, carência e niilismo)

Sobre a capacidade de aceitar as coisas; foi só outra coisa que eu disse.
Coisa torpe, que sobe e se esvai com a fumaça.
As palavras pesam mais do que deveriam em meu peito
O martírio vem do berço.
Ao nascer, chora-se por não entender o que se passa
E assim, durante toda a vida.
Sempre soou mais sensato pedir para esquecer.
O peso dos olhos contra a janela,
no mais invejável crepúsculo tardio.
As grades nunca estiveram ali,
Então o que ainda te impede de respirar?
De empírico, meu lamento não tem quase nada.
É aquele medo de ter medo de não ter em que pensar.
Quando se dissolve a impotencia de viver, já está tarde de mais,
o ímpeto de andar pela grama e amar por amar sucumbiu, vez mais
à opressão pragmática dessa cabeça melancólica.
A noite é dos gatos, de quem não se preocupa em arriscar.
Resta, outra vez o escárnio da multidão que vive em mim.
Sempre que seguro a caneta para divagar, é tarde de mais
sou tão bobo quanto quando ousei pensar
que ser algum estaria interessado nas mais sinceras súplicas
de razão para abrir outra vez os braços e esperar na porta.
Nem se quer você.
Nem a noite.
Nem a onda de silêncio da noite me deixa relaxar.


Será que deveria mesmo estar grato por ter escapado das ferragens fervendo e do gosto amargo que jorrava entre meus dentes?

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